Terça-feira, 1 de Janeiro de 2008

Uns

Uns, com os olhos postos no passado,
Vêem o que não vêem: outros, fitos
Os mesmos olhos no futuro, vêem
O que não pode ver-se.
Por que tão longe ir pôr o que está perto —
A segurança nossa? Este é o dia,
Esta é a hora, este o momento, isto
É quem somos, e é tudo.

Perene flui a interminável hora
Que nos confessa nulos. No mesmo hausto
Em que vivemos, morreremos. Colhe
o dia, porque és ele.
”kristenbell?

Segunda-feira, 31 de Dezembro de 2007

Uma Após Uma

Uma após uma as ondas apressadas
Enrolam o seu verde movimento
E chiam a alva 'spuma
No moreno das praias.
Uma após uma as nuvens vagarosas
Rasgam o seu redondo movimento
E o sol aquece o 'spaço
Do ar entre as nuvens 'scassas.
Indiferente a mim e eu a ela,
A natureza deste dia calmo
Furta pouco ao meu senso
De se esvair o tempo.
Só uma vaga pena inconseqüente
Pára um momento à porta da minha alma
E após fitar-me um pouco
Passa, a sorrir de nada.
”jenniferaniston?

Domingo, 30 de Dezembro de 2007

Tuas, Não Minhas

Tuas, não minhas, teço estas grinaldas,
Que em minha fronte renovadas ponho.
Para mim tece as tuas,
Que as minhas eu não vejo.
Se não pesar na vida melhor gozo
Que o vermo-nos, vejamo-nos, e, vendo,
Surdos conciliemos
O insubsistente surdo.
Coroemo-nos pois uns para os outros,
E brindemos uníssonos à sorte
Que houver, até que chegue
A hora do barqueiro.
”gemmaatkinson?

Sábado, 29 de Dezembro de 2007

Tudo que Cessa

Tudo que cessa é morte, e a morte é nossa
Se é para nós que cessa. Aquele arbusto
Fenece, e vai com ele
Parte da minha vida.
Em tudo quanto olhei fiquei em parte.
Com tudo quanto vi, se passa, passo,
Nem distingue a memória
Do que vi do que fui.
”amywinehouse?

Sexta-feira, 28 de Dezembro de 2007

Tudo

Tudo, desde ermos astros afastados
A nós, nos dá o mundo
E a tudo, alheios, nos acrescentamos,
Pensando e interpretando.
A próxima erva a que não chega basta,
O que há é o melhor.
”danniiminogue?

Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2007

Tirem-me os Deuses

Tirem-me os deuses
Em seu arbítrio
Superior e urdido às escondidas
O Amor, glória e riqueza.
Tirem, mas deixem-me,
Deixem-me apenas
A consciência lúcida e solene
Das coisas e dos seres.

Pouco me importa
Amor ou glória,
A riqueza é um metal, a glória é um eco
E o amor uma sombra.

Mas a concisa
Atenção dada
Às formas e às maneiras dos objetos
Tem abrigo seguro.

Seus fundamentos
São todo o mundo,
Seu amor é o plácido Universo,
Sua riqueza a vida.

A sua glória
É a suprema
Certeza da solene e clara posse
Das formas dos objetos.

O resto passa,
E teme a morte.
Só nada teme ou sofre a visão clara
E inútil do Universo.

Essa a si basta,
Nada deseja
Salvo o orgulho de ver sempre claro
Até deixar de ver.
”katieprice?

Quarta-feira, 26 de Dezembro de 2007

Temo, Lídia

Temo, Lídia, o destino. Nada é certo.
Em qualquer hora pode suceder-nos
O que nos tudo mude.
Fora do conhecido é estranho o passo
Que próprio damos. Graves numes guardam
As lindas do que é uso.
Não somos deuses; cegos, receemos,
E a parca dada vida anteponhamos
À novidade, abismo.
”katieholmes?

Terça-feira, 25 de Dezembro de 2007

Tênue

Tênue, como se de Éolo a esquecessem,
A brisa da manhã titila o campo,
E há começo do sol.
Não desejemos, Lídia, nesta hora
Mais sol do que ela, nem mais alta brisa
Que a que é pequena e existe.
”tarareid3?

Segunda-feira, 24 de Dezembro de 2007

Tão Cedo

Tão cedo tudo quanto passa!
Morre tão jovem ante os deuses quanto
Morre! Tudo é tão pouco!
Nada se sabe, tudo se imagina.
Circunda-te de rosas, ama, bebe
E cala. O mais é nada.
”giselebundchen?

Domingo, 23 de Dezembro de 2007

Tão cedo passa tudo quanto passa!

Tão cedo passa tudo quanto passa!
Morre tão jovem ante os deuses quanto
Morre! Tudo é tão pouco!
Nada se sabe, tudo se imagina.
Circunda-te de rosas, ama, bebe
E cala. O mais é nada.
”tarareid2?

Sábado, 22 de Dezembro de 2007

Súbdito Inútil

Súbdito inútil de astros dominantes,
Passageiros como eu, vivo uma vida
Que não quero nem amo,
Minha porque sou ela,
No ergástulo de ser quem sou, contudo,
De em mim pensar me livro, olhando no alto
Os astros que dominam
Submissos de os ver brilhar.

Vastidão vã que finge de infinito
(Como se o infinito se pudesse ver!) —
Dá-me ela a liberdade?
Como, se ela a não tem?
”tarareid1?

Sexta-feira, 21 de Dezembro de 2007

Sob a Leve Tutela

Sob a leve tutela
De deuses descuidosos,
Quero gastar as concedidas horas
Desta fadada vida.
Nada podendo contra
O ser que me fizeram,
Desejo ao menos que me haja o Fado
Dado a paz por destino.

Da verdade não quero
Mais que a vida; que os deuses
Dão vida e não verdade, nem talvez
Saibam qual a verdade.
”tarareid?

Quinta-feira, 20 de Dezembro de 2007

Se a Cada Coisa

Se a cada coisa que há um deus compete,
Por que não haverá de mim um deus?
Por que o não serei eu?
É em mim que o deus anima
Porque eu sinto.
O mundo externo claramente vejo —
Coisas, homens, sem alma.
”carlabruni?

Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2007

Solene Passa

Solene passa sobre a fértil terra
A branca, inútil nuvem fugidia,
Que um negro instante de entre os campos ergue
Um sopro arrefecido.
Tal me alta na alma a lenta idéia voa
E me enegrece a mente, mas já torno,
Como a si mesmo o mesmo campo, ao dia
Da imperfeita vida.
”lowcost?

Terça-feira, 18 de Dezembro de 2007

Sofro, Lídia

Sofro, Lídia, do medo do destino.
A leve pedra que um momento ergue
As lisas rodas do meu carro, aterra
Meu coração.
Tudo quanto me ameace de mudar-me
Para melhor que seja, odeio e fujo.
Deixem-me os deuses minha vida sempre
Sem renovar

Meus dias, mas que um passe e outro passe
Ficando eu sempre quase o mesmo, indo
Para a velhice como um dia entra
No anoitecer.
”currencytrading?

Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2007

Só Esta Liberdade

Só esta liberdade nos concedem
Os deuses: submetermo-nos
Ao seu domínio por vontade nossa.
Mais vale assim fazermos
Porque só na ilusão da liberdade
A liberdade existe.
Nem outro jeito os deuses, sobre quem
O eterno fado pesa,
Usam para seu calmo e possuído
Convencimento antigo
De que é divina e livre a sua vida.

Nós, imitando os deuses,
Tão pouco livres como eles no Olimpo,
Como quem pela areia
Ergue castelos para encher os olhos,
Ergamos nossa vida
E os deuses saberão agradecer-nos
O sermos tão como eles.
”currencytrading?

Domingo, 16 de Dezembro de 2007

Só o Ter

Só o ter flores pela vista fora
Nas áleas largas dos jardins exatos
Basta para podermos
Achar a vida leve.
De todo o esforço seguremos quedas
As mãos, brincando, pra que nos não tome
Do pulso, e nos arraste.
E vivamos assim,

Buscando o mínimo de dor ou gozo,
Bebendo a goles os instantes frescos,
Translúcidos como água
Em taças detalhadas,

Da vida pálida levando apenas
As rosas breves, os sorrisos vagos,
E as rápidas carícias
Dos instantes volúveis.

Pouco tão pouco pesará nos braços
Com que, exilados das supernas luzes,
‘Scolherrnos do que fomos
O melhor pra lembrar

Quando, acabados pelas Parcas, formos,
vultos solenes de repente antigos,
E cada vez mais sombras,
Ao encontro fatal

Do barco escuro no soturno rio,
E os nove abraços do horror estígio,
E o regaço insaciável
Da pátria de Plutão.
”foreigncurrency?

Sábado, 15 de Dezembro de 2007

Sim

Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.
”foreignexchange?

Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2007

Seguro Assento

Seguro Assento na coluna firme
Dos versos em que fico,
Nem temo o influxo inúmero futuro
Dos tempos e do olvido;
Que a mente, quando, fixa, em si contempla
Os reflexos do mundo,
Deles se plasma torna, e à arte o mundo
Cria, que não a mente.
Assim na placa o externo instante grava
Seu ser, durando nela.
”forextrading?

Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2007

Sereno Aguarda

Sereno aguarda o fim que pouco tarda.
Que é qualquer vida? Breves sóis e sono.
Quanto pensas emprega
Em não muito pensares.

Ao nauta o mar obscuro é a rota clara.
Tu, na confusa solidão da vida,
A ti mesmo te elege
(Não sabes de outro) o porto.
”americancurrency?

Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2007

Severo Narro

Severo narro. Quanto sinto, penso.
Palavras são idéias.
Múrmuro, o rio passa, e o que não passa,
Que é nosso, não do rio.
Assim quisesse o verso: meu e alheio
E por mim mesmo lido.
”australiancurrency?

Terça-feira, 11 de Dezembro de 2007

Se Recordo

Se recordo quem fui, outrem me vejo,
E o passado é o presente na lembrança.
Quem fui é alguém que amo
Porém somente em sonho.
E a saudade que me aflige a mente
Não é de mim nem do passado visto,
Senão de quem habito
Por trás dos olhos cegos.
Nada, senão o instante, me conhece.
Minha mesma lembrança é nada, e sinto
Que quem sou e quem fui São sonhos diferentes.
”alanismorissette?

Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2007

Segue o teu destino

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.
”alexisbledel?

Domingo, 9 de Dezembro de 2007

Saudoso

Saudoso já deste verão que veio,
Lágrimas para as flores dele emprego
Na lembrança invertida
De quando hei de perdê-las.
Transpostos os portais irreparáveis
De cada ano, me antecipo a sombra
Em que hei de errar, sem flores,
No abismo rumoroso.
E colho a rosa porque a sorte manda.
Marcenda, guardo-a; murche-se comigo
Antes que com a curva
Diurna da ampla terra.
”anastacia?

Sábado, 8 de Dezembro de 2007

Sábio

Sábio é o que se contenta com o espetáculo do mundo,
E ao beber nem recorda
Que já bebeu na vida,
Para quem tudo é novo
E imarcescível sempre.

Coroem-no pâmpanos, ou heras, ou rosas volúteis,
Ele sabe que a vida
Passa por ele e tanto
Corta à flor como a ele
De Átropos a tesoura.

Mas ele sabe fazer que a cor do vinho esconda isto,
Que o seu sabor orgíaco
Apague o gosto às horas,
Como a uma voz chorando
O passar das bacantes.

E ele espera, contente quase e bebedor tranqüilo,
E apenas desejando
Num desejo mal tido
Que a abominável onda
O não molhe tão cedo.
”enriqueiglesias?

Sexta-feira, 7 de Dezembro de 2007

Rasteja Mole

Rasteja mole pelos campos ermos
O vento sossegado.
Mais parece tremer de um tremor próprio,
Que do vento, o que é erva.
E se as nuvens no céu, brancas e altas,
Se movem, mais parecem
Que gira a terra rápida e elas passam,
Por muito altas, lentas.
Aqui neste sossego dilatado
Me esquecerei de tudo,
Nem hóspede será do que conheço
A vida que deslembro.
Assim meus dias seu decurso falso
Gozarão verdadeiro.
”ashleesimpson?

Quinta-feira, 6 de Dezembro de 2007

Quero Ignorado

Quero ignorado, e calmo
Por ignorado, e próprio
Por calmo, encher meus dias
De não querer mais deles.

Aos que a riqueza toca
O ouro irrita a pele.
Aos que a fama bafeja
Embacia-se a vida.

Aos que a felicidade
É sol, virá a noite.
Mas ao que nada 'spera
Tudo que vem é grato.
”atomickitten?

Quarta-feira, 5 de Dezembro de 2007

Quero dos Deuses

Quero dos deuses só que me não lembrem.
Serei livre — sem dita nem desdita,
Como o vento que é a vida
Do ar que não é nada.
O ódio e o amor iguais nos buscam; ambos,
Cada um com seu modo, nos oprimem.
A quem deuses concedem
Nada, tem liberdade.
”stardust?

Terça-feira, 4 de Dezembro de 2007

Quer Pouco

Quer pouco: terás tudo.
Quer nada: serás livre.
O mesmo amor que tenham
Por nós, quer-nos, oprime-nos.
”michellepfeiffer?

Segunda-feira, 3 de Dezembro de 2007

Quem Diz

Quem diz ao dia, dura! e à treva, acaba!
E a si não diz, não digas!
Sentinelas absurdas, vigilamos,
Ínscios dos contendentes.
Uns sob o frio, outros no ar brando, guardam
O posto e a insciência sua.
”lost?

Domingo, 2 de Dezembro de 2007

Quanto Faças

Quanto faças, supremamente faze.
Mais vale, se a memória é quanto temos,
Lembrar muito que pouco.
E se o muito no pouco te é possível,
Mais ampla liberdade de lembrança
Te tornará teu dono.
”bethostrosky?

Sábado, 1 de Dezembro de 2007

Quando, Lídia

Quando, Lídia, vier o nosso outono
Com o inverno que há nele, reservemos
Um pensamento, não para a futura
Primavera, que é de outrem,
Nem para o estio, de quem somos mortos,
Senão para o que fica do que passa
O amarelo atual que as folhas vivem
E as torna diferentes.
”bridgetmoynahan?

Sexta-feira, 30 de Novembro de 2007

Quanta Tristeza

Quanta tristeza e amargura afoga
Em confusão a 'streita vida!
Quanto Infortúnio mesquinho
Nos oprime supremo!
Feliz ou o bruto que nos verdes campos
Pasce, para si mesmo anônimo, e entra
Na morte como em casa;
Ou o sábio que, perdido
Na ciência, a fútil vida austera eleva
Além da nossa, como o fumo que ergue
Braços que se desfazem
A um céu inexistente.
”brookeburke?

Quinta-feira, 29 de Novembro de 2007

Quão Breve

Quão breve tempo é a mais longa vida
E a juventude nela! Ah!, Cloe, Cloe,
Se não amo nem bebo,
Nem sem querer não penso,
Pesa-me a lei inimplorável, dói-me
A hora invita, o tempo que não cessa,
E aos ouvidos me sobe
Dos juncos o ruído
Na oculta margem onde os lírios frios
Da ínfera leiva crescem, e a corrente
Não sabe onde é o dia,
Sussurro gemebundo.
”maureenmccormick?

Quarta-feira, 28 de Novembro de 2007

Prefiro Rosas

Prefiro rosas, meu amor, à pátria,
E antes magnólias amo
Que a glória e a virtude.

Logo que a vida me não canse, deixo
Que a vida por mim passe
Logo que eu fique o mesmo.

Que importa àquele a quem já nada importa
Que um perca e outro vença,
Se a aurora raia sempre,

Se cada ano com a primavera
As folhas aparecem
E com o outono cessam?

E o resto, as outras coisas que os humanos
Acrescentam à vida,
Que me aumentam na alma?

Nada, salvo o desejo de indiferença
E a confiança mole
Na hora fugitiva.
”madonna?

Terça-feira, 27 de Novembro de 2007

Prazer

Prazer, Mas devagar,
Lídia, que a sorte àqueles não é grata
Que lhe das mãos arrancam.
Furtivos retiremos do horto mundo
Os depredandos pomos.
Não despertemos, onde dorme, a Erínis
Que cada gozo trava.
Corno um regato, mudos passageiros,
Gozemos escondidos.
A sorte inveja, Lídia. Emudeçamos.
”dementieva?

Segunda-feira, 26 de Novembro de 2007

Pois que nada que dure, ou que, durando

Pois que nada que dure, ou que, durando,
Valha, neste confuso mundo obramos,
E o mesmo útil para nós perdemos
Conosco, cedo, cedo.

O prazer do momento anteponhamos
À absurda cura do futuro, cuja
Certeza única é o mal presente
Com que o seu bem compramos.

Amanhã não existe. Meu somente
É o momento, eu só quem existe
Neste instante, que pode o derradeiro
Ser de quem finjo ser?
”elenadementieva?

Domingo, 25 de Novembro de 2007

Ponho na Altiva

Ponho na altiva mente o fixo esforço
Da altura, e à sorte deixo,
E as suas leis, o verso;

Que, quanto é alto e régio o pensamento,
Súbita a frase o busca
E o 'scravo ritmo o serve.
”tania?

Sábado, 24 de Novembro de 2007

Pesa o Decreto

Pesa o decreto atroz do fim certeiro.
Pesa a sentença igual do juiz ignoto
Em cada cerviz néscia. É entrudo e riem.
Felizes, porque neles pensa e sente
A vida, que não eles!
Se a ciência é vida, sábio é só o néscio.
Quão pouca diferença a mente interna
Do homem da dos brutos! Sus! Deixai
Brincar os moribundos!

De rosas, inda que de falsas teçam
Capelas veras. Breve e vão é o tempo
Que lhes é dado, e por misericórdia
Breve nem vão sentido.
”katherineheigl?

Sexta-feira, 23 de Novembro de 2007

Para ser grande, sê inteiro: nada

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive
”chachitelesco?

Quinta-feira, 22 de Novembro de 2007

Para os Deuses

Para os deuses as coisas são mais coisas.
Não mais longe eles vêem, mas mais claro
Na certa Natureza
E a contornada vida...
Não no vago que mal vêem
Orla misteriosamente os seres,
Mas nos detalhes claros
Estão seus olhos.
A Natureza é só uma superfície.
Na sua superfície ela é profunda
E tudo contém muito
Se os olhos bem olharem.
Aprende, pois, tu, das cristãs angústias,
Ó traidor à multíplice presença
Dos deuses, a não teres
Véus nos olhos nem na alma.
”software?

Quarta-feira, 21 de Novembro de 2007

O Rastro Breve

O rastro breve que das ervas moles
Ergue o pé findo, o eco que oco coa,
A sombra que se adumbra,
O branco que a nau larga —
Nem maior nem melhor deixa a alma às almas,
O ido aos indos.A lembrança esquece,
Mortos, inda morremos.
Lídia, somos só nossos.
”perfume?

Terça-feira, 20 de Novembro de 2007

O Sono é Bom

O sono é bom pois despertamos dele
Para saber que é bom. Se a morte é sono
Despertaremos dela;
Se não, e não é sono,

Conquanto em nós é nosso a refusemos
Enquanto em nossos corpos condenados
Dura, do carcereiro,
A licença indecisa.

Lídia, a vida mais vil antes que a morte,
Que desconheço, quero; e as flores colho
Que te entrego, votivas
De um pequeno destino.
”hotels?

Segunda-feira, 19 de Novembro de 2007

O Mar Jaz

O mar jaz; gemem em segredo os ventos
Em Eolo cativos;
Só com as pontas do tridente as vastas
Águas franze Netuno;
E a praia é alva e cheia de pequenos
Brilhos sob o sol claro.
Inutilmente parecemos grandes.
Nada, no alheio mundo,
Nossa vista grandeza reconhece
Ou com razão nos serve.
Se aqui de um manso mar meu fundo indício
Três ondas o apagam,
Que me fará o mar que na atra praia
Ecoa de Saturno?
”beckham?

Domingo, 18 de Novembro de 2007

O Ritmo Antigo

O ritmo antigo que há em pés descalços,
Esse ritmo das ninfas repetido,
Quando sob o arvoredo
Batem o som da dança,
Vós na alva praia relembrai, fazendo,
Que 'scura a 'spuma deixa; vós, infantes,
Que inda não tendes cura
De ter cura, responde
Ruidosa a roda, enquanto arqueia Apolo
Como um ramo alto, a curva azul que doura,
E a perene maré
Flui, enchente ou vazante.
”moneyforex?

Sábado, 17 de Novembro de 2007

Os Deuses

Os deuses desterrados.
Os irmãos de Saturno,
Às vezes, no crepúsculo
Vêm espreitar a vida.

Vêm então ter conosco
Remorsos e saudades
E sentimentos falsos.
É a presença deles,
Deuses que o destroná-los
Tornou espirituais,
De matéria vencida,
Longínqua e inativa.

Vêm, inúteis forças,
Solicitar em nós
As dores e os cansaços,
Que nos tiram da mão,
Como a um bêbedo mole,
A taça da alegria.

Vêm fazer-nos crer,
Despeitadas ruínas
De primitivas forças,
Que o mundo é mais extenso
Que o que se vê e palpa,
Para que ofendamos
A Júpiter e a Apolo.

Assim até à beira
Terrena do horizonte
Hiperion no crepúsculo
Vem chorar pelo carro
Que Apolo lhe roubou.

E o poente tem cores
Da dor dom deus longínquo,
E ouve-se soluçar
Para além das esferas...
Assim choram os deuses.
”gato-fedorento?

Sexta-feira, 16 de Novembro de 2007

O Deus Pã

O Deus Pã não morreu,
Cada campo que mostra
Aos sorrisos de Apolo
Os peitos nus de Ceres—
Cedo ou tarde vereis
por lá aparecer
O deus Pã, o imortal.

Não matou outros deuses
O triste deus cristão.
Cristo é um deus a mais,
Talvez um que faltava.
Pã continua a ciar
Os sons da sua flauta
Aos ouvidos de Ceres
Recumbente nos campos.

Os deuses são os mesmos,
Sempre claros e calmos,
Cheios de eternidade
E desprezo por nós,
Trazendo o dia e a noite
E as colheitas douradas
Sem ser para nos dar o dia e a noite e o trigo
Mas por outro e divino
Propósito casual.
”katiemelua?

Quinta-feira, 15 de Novembro de 2007

Os Deuses e os Messias

Os deuses e os Messias que são deuses
Passam, e os sonhos vãos que são Messias.
A terra muda dura.

Nem deuses, nem Messias, nem idéias
Que trazem rosas. Minhas são se as tenho.
Se as tenho, que mais quero?
”clairedanes?

Quarta-feira, 14 de Novembro de 2007

O que Sentimos

O que sentimos, não o que é sentido,
É o que temos.
Claro, o inverno triste
Como à sorte o acolhamos.
Haja inverno na terra, não na mente.
E, amor a amor, ou livro a livro, amemos
Nossa caveira breve.
”film?

Terça-feira, 13 de Novembro de 2007

Olho

Olho os campos, Neera,
Campos, campos, e sofro
Já o frio da sombra
Em que não terei olhos.
A caveira ante-sinto
Que serei não sentindo,
Ou só quanto o que ignoro
Me incógnito ministre.
E menos ao instante
Choro, que a mim futuro,
Súbdito ausente e nulo
Do universal destino.
”cristianronaldo?

Segunda-feira, 12 de Novembro de 2007

Ouvi contar que outrora

Ouvi contar que outrora, quando a Pérsia
Tinha não sei qual guerra,
Quando a invasão ardia na
Cidade E as mulheres gritavam,
Dois jogadores de xadrez jogavam
O seu jogo contínuo.

À sombra de ampla árvore fitavam
O tabuleiro antigo,
E, ao lado de cada um, esperando os seus
Momentos mais folgados,
Quando havia movido a pedra, e agora
Esperava o adversário.
Um púcaro com vinho refrescava
Sobriamente a sua sede.

Ardiam casas, saqueadas eram
As arcas e as paredes,
Violadas, as mulheres eram postas
Contra os muros caídos,
Traspassadas de lanças, as crianças
Eram sangue nas ruas...
Mas onde estavam, perto da cidade,
E longe do seu ruído,
Os jogadores de xadrez jogavam
O jogo de xadrez.

Inda que nas mensagens do ermo vento
Lhes viessem os gritos,
E, ao refletir, soubessem desde a alma
Que por certo as mulheres
E as tenras filhas violadas eram
Nessa distância próxima,
Inda que, no momento que o pensavam,
Uma sombra ligeira
Lhes passasse na fronte alheada e vaga,
Breve seus olhos calmos
Volviam sua atenta confiança
Ao tabuleiro velho.

Quando o rei de marfim está em perigo,
Que importa a carne e o osso
Das irmãs e das mães e das crianças?
Quando a torre não cobre
A retirada da rainha branca,
O saque pouco importa.
E quando a mão confiada leva o xeque
Ao rei do adversário,
Pouco pesa na alma que lá longe
Estejam morrendo filhos.

Mesmo que, de repente, sobre o muro
Surja a sanhuda face
Dum guerreiro invasor, e breve deva
Em sangue ali cair
O jogador solene de xadrez,
O momento antes desse
(É ainda dado ao cálculo dum lance
Pra a efeito horas depois)
É ainda entregue ao jogo predileto
Dos grandes indif'rentes.

Caiam cidades, sofram povos, cesse
A liberdade e a vida.
Os haveres tranqüilos e avitos
Ardem e que se arranquem,
Mas quando a guerra os jogos interrompa,
Esteja o rei sem xeque,
E o de marfim peão mais avançado
Pronto a comprar a torre.

Meus irmãos em amarmos Epicuro
E o entendermos mais
De acordo com nós-próprios que com ele,
Aprendamos na história
Dos calmos jogadores de xadrez
Como passar a vida.

Tudo o que é sério pouco nos importe,
O grave pouco pese,
O natural impulso dos instintos
Que ceda ao inútil gozo
(Sob a sombra tranqüila do arvoredo)
De jogar um bom jogo.

O que levamos desta vida inútil
Tanto vale se é
A glória, a fama, o amor, a ciência, a vida,
Como se fosse apenas
A memória de um jogo bem jogado
E uma partida ganha
A um jogador melhor.

A glória pesa como um fardo rico,
A fama como a febre,
O amor cansa, porque é a sério e busca,
A ciência nunca encontra,
E a vida passa e dói porque o conhece...
O jogo do xadrez
Prende a alma toda, mas, perdido, pouco
Pesa, pois não é nada.

Ah! sob as sombras que sem qu'rer nos amam,
Com um púcaro de vinho
Ao lado, e atentos só à inútil faina
Do jogo do xadrez
Mesmo que o jogo seja apenas sonho
E não haja parceiro,
Imitemos os persas desta história,
E, enquanto lá fora,
Ou perto ou longe, a guerra e a pátria e a vida
Chamam por nós, deixemos
Que em vão nos chamem, cada um de nós
Sob as sombras amigas
Sonhando, ele os parceiros, e o xadrez
A sua indiferença.
”dementieva?

Domingo, 11 de Novembro de 2007

Nunca

Nunca a alheia vontade, inda que grata,
Cumpras por própria.
Manda no que fazes,
Nem de ti mesmo servo.
Ninguém te dá quem és.
Nada te mude.
Teu íntimo destino involuntário
Cumpre alto.
Sê teu filho.
”brookeburke?

Sábado, 10 de Novembro de 2007

Nos Altos Ramos

Nos altos ramos de árvores frondosas
O vento faz um rumor frio e alto,
Nesta floresta, em este som me perco
E sozinho medito.

Assim no mundo, acima do que sinto,
Um vento faz a vida, e a deixa, e a toma,
E nada tem sentido — nem a alma
Com que penso sozinho.
”tomcruise?

Sexta-feira, 9 de Novembro de 2007

No Mundo

No mundo, Só comigo, me deixaram
Os deuses que dispõem.
Não posso contra eles: o que deram
Aceito sem mais nada.
Assim, o trigo baixa ao vento, e, quando
O vento cessa, ergue-se.
”maria?

Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007

No Magno Dia

No magno dia até os sons são claros.
Pelo repouso do amplo campo tardam.
Múrmura, a brisa cala.
Quisera, como os sons, viver das coisas
Mas não ser delas, conseqüência alada
Em que o real vai longe.
”alexisbledel?

Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007

No Ciclo Eterno

No ciclo eterno das mudáveis coisas
Novo inverno após novo outono volve
À diferente terra
Com a mesma maneira.
Porém a mim nem me acha diferente
Nem diferente deixa-me, fechado
Na clausura maligna
Da índole indecisa.
Presa da pálida fatalidade
De não mudar-me, me infiel renovo
Aos propósitos mudos
Morituros e infindos.
”eg-hotels?

Terça-feira, 6 de Novembro de 2007

No Breve Número

No breve número de doze meses
O ano passa, e breves são os anos,
Poucos a vida dura.
Que são doze ou sessenta na floresta
Dos números, e quanto pouco falta
Para o fim do futuro!
Dois terços já, tão rápido, do curso
Que me é imposto correr descendo, passo.
Apresso, e breve acabo.
Dado em declive deixo, e invito apresso
O moribundo passo.
”alignment?

Segunda-feira, 5 de Novembro de 2007

Ninguém

Ninguém, na vasta selva virgem
Do mundo inumerável, finalmente
Vê o Deus que conhece.
Só o que a brisa traz se ouve na brisa
O que pensamos, seja amor ou deuses,
Passa, porque passamos.
”laser?

Domingo, 4 de Novembro de 2007

Ninguém a Outro Ama

Ninguém a outro ama, senão que ama
O que de si há nele, ou é suposto.
Nada te pese que não te amem. Sentem-te
Quem és, e és estrangeiro.
Cura de ser quem és, amam-te ou nunca.
Firme contigo, sofrerás avaro
De penas.
”terihatcher?

Sábado, 3 de Novembro de 2007

Negue-me

Negue-me tudo a sorte, menos vê-la,
Que eu, 'stóico sem dureza,
Na sentença gravada do Destino
Quero gozar as letras.
”carlagugino?

Sexta-feira, 2 de Novembro de 2007

Nem da Erva

Nem da serva humilde se o Destino esquece.
Saiba a lei o que vive.
De sua natureza murcham rosas
E prazeres se acabam.
Quem nos conhece, amigo, tais quais fomos?
Nem nós os conhecemos.
”jessicasimpson?

Quinta-feira, 1 de Novembro de 2007

Não Tenhas

Não tenhas nada nas mãos
Nem uma memória na alma,
Que quando te puserem
Nas mãos o óbolo último,
Ao abrirem-te as mãos
Nada te cairá.
Que trono te querem dar
Que Átropos to não tire?
Que louros que não fanem
Nos arbítrios de Minos?
Que horas que te não tornem
Da estatura da sombra
Que serás quando fores
Na noite e ao fim da estrada.
Colhe as flores mas larga-as,
Das mãos mal as olhaste.
Senta-te ao sol. Abdica
E sê rei de ti próprio.
”evalongoria?

Quarta-feira, 31 de Outubro de 2007

Não Sei se é Amor que Tens

Não sei se é amor que tens, ou amor que finges,
O que me dás. Dás-mo. Tanto me basta.
Já que o não sou por tempo,
Seja eu jovem por erro.
Pouco os deuses nos dão, e o pouco é falso.
Porém, se o dão, falso que seja, a dádiva
É verdadeira. Aceito,
Cerro olhos: é bastante.
Que mais quero?
”brookeburke?

Terça-feira, 30 de Outubro de 2007

Não Sei

Não sei de quem recordo meu passado
Que outrem fui quando o fui, nem me conheço
Como sentindo com minha alma aquela
Alma que a sentir lembro.
De dia a outro nos desamparamos.
Nada de verdadeiro a nós nos une
Somos quem somos, e quem fomos foi
Coisa vista por dentro.
”bridgetmoynahan?

Segunda-feira, 29 de Outubro de 2007

Não só quem nos odeia ou nos inveja

Não só quem nos odeia ou nos inveja
Nos limita e oprime; quem nos ama
Não menos nos limita.
Que os deuses me concedam que, despido

De afetos, tenha a fria liberdade
Dos píncaros sem nada.
Quem quer pouco, tem tudo; quem quer nada
É livre; quem não tem, e não deseja,
Homem, é igual aos deuses.
”currencyrate?

Domingo, 28 de Outubro de 2007

Não Só Vinho

Não só vinho, mas nele o olvido, deito

Na taça: serei ledo, porque a dita

É ignara. Quem, lembrando

Ou prevendo, sorrira?

”chachitelesco?
Dos brutos, não a vida, senão a alma,

Consigamos, pensando; recolhidos

No impalpável destino

Que não 'spera nem lembra.

Com mão mortal elevo à mortal boca

Em frágil taça o passageiro vinho,

Baços os olhos feitos

Para deixar de ver.
”currencyexchange?

Sábado, 27 de Outubro de 2007

Não Quero

Não quero recordar nem conhecer-me.

Somos demais se olhamos em quem somos.

Ignorar que vivemos

Cumpre bastante a vida.

Tanto quanto vivemos, vive a hora

Em que vivemos, igualmente morta

Quando passa conosco,

Que passamos com ela.
Se sabê-lo não serve de sabê-lo

(Pois sem poder que vale conhecermos?)

Melhor vida é a vida

Que dura sem medir-se.
”pc?

Sexta-feira, 26 de Outubro de 2007

Não Quero

Não quero, Cloe, teu amor, que oprime

Porque me exige amor. Quero ser livre.

”roselynsanchez?
A 'sperança é um dever do sentimento.
”sharonstone?

Quinta-feira, 25 de Outubro de 2007

Não Quero

Não quero as oferendas

Com que fingis, sinceros,

Dar-me os dons que me dais.

Dais-me o que perderei,

Chorando-o, duas vezes,

Por vosso e meu, perdido.

Antes mo prometais

Sem mo dardes, que a perda

Será mais na 'sperança

Que na recordação.

Não terei mais desgosto

Que o contínuo da vida,

Vendo que com os dias

Tarda o que 'spera, e é nada.
”vanessahudgens?

Quarta-feira, 24 de Outubro de 2007

Não Queiras

Não queiras, Lídia, edificar no spaço

Que figuras futuro, ou prometer-te

Amanhã. Cumpre-te hoje, não 'sperando.

Tu mesma és tua vida.

Não te destines, que não és futura.

Quem sabe se, entre a taça que esvazias,

E ela de novo enchida, não te a sorte

Interpõe o abismo?
”naomicampbell?

Terça-feira, 23 de Outubro de 2007

Não Consentem

Não consentem os deuses mais que a vida.

Tudo pois refusemos, que nos alce

A irrespiráveis píncaros,

Perenes sem ter flores.

Só de aceitar tenhamos a ciência,

E, enquanto bate o sangue em nossas fontes,

Nem se engelha conosco

O mesmo amor, duremos,

Como vidros, às luzes transparentes

E deixando escorrer a chuva triste,

Só mornos ao sol quente,

E refletindo um pouco.
”federer?

Segunda-feira, 22 de Outubro de 2007

Não Canto

Não canto a noite porque no meu canto

O sol que canto acabara em noite.

Não ignoro o que esqueço.

Canto por esquecê-lo.


Pudesse eu suspender, inda que em sonho,

O Apolíneo curso, e conhecer-me,

Inda que louco, gêmeo

De uma hora imperecível!
”bradpitt?

Domingo, 21 de Outubro de 2007

Não a Ti, Cristo

Não a Ti, Cristo, odeio ou menosprezo

Que aos outros deuses que te precederam

Na memória dos homens.

Nem mais nem menos és, mas outro deus.

No Panteão faltavas. Pois que vieste

No Panteão o teu lugar ocupa,

Mas cuida não procures

Usurpar o que aos outros é devido.

Teu vulto triste e comovido sobre

A 'steril dor da humanidade antiga

Sim, nova pulcritude

Trouxe ao antigo Panteão incerto.

Mas que os teus crentes te não ergam sobre

outros, antigos deuses que dataram

Por filhos de Saturno

De mais perto da origem igual das coisas.

E melhores memórias recolheram

Do primitivo caos e da Noite

Onde os deuses não são

Mais que as estrelas súbditas do Fado.

Tu não és mais que um deus a mais no eterno

Não a ti, mas aos teus, odeio, Cristo.

Panteão que preside

À nossa vida incerta.

Nem maior nem menor que os novos deuses,

Tua sombria forma dolorida

Trouxe algo que faltava

Ao número dos divos.

Por isso reina a par de outros no Olimpo,

Ou pela triste terra se quiseres

Vai enxugar o pranto

Dos humanos que sofrem.

Não venham, porém, 'stultos teus cultores

Em teu nome vedar o eterno culto

Das presenças maiores

Ou parceiras da tua.

A esses, sim, do âmago eu odeio

Do crente peito, e a esses eu não sigo,

Supersticiosos leigos

Na ciência dos deuses.

Ah, aumentai, não combatendo nunca.

Enriquecei o Olimpo, aos deuses dando

Cada vez maior força

P'lo número maior.

Basta os males que o Fado as Parcas fez

Por seu intuito natural fazerem.

Nós homens nos façamos

Unidos pelos deuses.
”camerondiaz?

Sábado, 20 de Outubro de 2007

Não a Ti

Não a Ti, Cristo, odeio ou te não quero.

Em ti como nos outros creio deuses mais velhos.

Só te tenho por não mais nem menos

Do que eles, mas mais novo apenas.


Odeio-os sim, e a esses com calma aborreço,

Que te querem acima dos outros teus iguais deuses.

Quero-te onde tu stás, nem mais alto

Nem mais baixo que eles, tu apenas.


Deus triste, preciso talvez porque nenhum havia

Como tu, um a mais no Panteão e no culto,

Nada mais, nem mais alto nem mais puro

Porque para tudo havia deuses, menos tu.


Cura tu, idólatra exclusivo de Cristo, que a vida

É múltipla e todos os dias são diferentes dos outros,

E só sendo múltiplos como eles

'Staremos com a verdade e sós.
”vania?

Sexta-feira, 19 de Outubro de 2007

Nada Fica

Nada fica de nada. Nada somos.

Um pouco ao sol e ao ar nos atrasamos

Da irrespirável treva que nos pese

Da humilde terra imposta,

Cadáveres adiados que procriam.


Leis feitas, estátuas vistas, odes findas —

Tudo tem cova sua. Se nós, carnes

A que um íntimo sol dá sangue, temos

Poente, por que não elas?

Somos contos contando contos, nada.
”sharapova?

Quinta-feira, 18 de Outubro de 2007

Meu Gesto

Meu gesto que destrói

A mole das formigas,

Tomá-lo-ão elas por de um ser divino;

Mas eu não sou divino para mim.

Assim talvez os deuses

Para si o não sejam,

E só de serem do que nós maiores

Tirem o serem deuses para nós.

Seja qual for o certo,

Mesmo para com esses

Que cremos serem deuses, não sejamos

Inteiros numa fé talvez sem causa.
”beckham?

Quarta-feira, 17 de Outubro de 2007

Mestre

Mestre, são plácidas
Todas as horas
Que nós perdemos,
Se no perdê-las,
Qual numa jarra,
Nós pomos flores.

Não há tristezas
Nem alegrias
Na nossa vida.
Assim saibamos,
Sábios incautos,
Não a viver,

Mas decorrê-la,
Tranqüilos, plácidos,
Lendo as crianças
Por nossas mestras,
E os olhos cheios
De Natureza ...

À beira-rio,
À beira-estrada,
Conforme calha,
Sempre no mesmo
Leve descanso
De estar vivendo.

O tempo passa,
Não nos diz nada.
Envelhecemos.
Saibamos, quase
Maliciosos,
Sentir-nos ir.

Não vale a pena
Fazer um gesto.
Não se resiste
Ao deus atroz
Que os próprios filhos
Devora sempre.

Colhamos flores.
Molhemos leves
As nossas mãos
Nos rios calmos,
Para aprendermos
Calma também.

Girassóis sempre
Fitando o sol,
Da vida iremos
Tranqüilos,tendo
Nem o remorso
De ter vivido.
”roselynsanchez?

Terça-feira, 16 de Outubro de 2007

Melhor Destino

Melhor destino que o de conhecer-se

Não frui quem mente frui. Antes, sabendo,

Ser nada, que ignorando:

Nada dentro de nada.

Se não houver em mim poder que vença

As Parcas três e as moles do futuro,

Já me dêem os deuses o poder de sabê-lo;

E a beleza, incriável por meu sestro,

Eu goze externa e dada, repetida

Em meus passivos olhos,

Lagos que a morte seca.
”elenadementieva?

Segunda-feira, 15 de Outubro de 2007

Lídia

Lídia, ignoramos. Somos estrangeiros

Onde que quer que estejamos.

Lídia, ignoramos. Somos estrangeiros

Onde quer que moremos, Tudo é alheio

Nem fala língua nossa.

Façamos de nós mesmos o retiro

Onde esconder-nos, tímidos do insulto

Do tumulto do mundo.

Que quer o amor mais que não ser dos outros?

Como um segredo dito nos mistérios,

Seja sacro por nosso.
”naomicampbell?

Domingo, 14 de Outubro de 2007

Lenta, Descansa

Lenta, descansa a onda que a maré deixa.
Pesada cede. Tudo é sossegado.
Só o que é de homem se ouve.
Cresce a vinda da lua.
Nesta hora, Lídia ou Neera Ou Cloe,
Qualquer de vós me é estranha, que me inclino
Para o segredo dito
Pelo silêncio incerto.
Tomo nas mãos, como caveira, ou chave
De supérfluo sepulcro, o meu destino,
E ignaro o aborreço
Sem coração que o sinta.
”alexisbledel?

Sábado, 13 de Outubro de 2007

Já Sobre a Fronte

Já sobre a fronte vã se me acinzenta

O cabelo do jovem que perdi.

Meus olhos brilham menos.

Já não tem jus a beijos minha boca.

Se me ainda amas, por amor não ames:

Traíras-me comigo.
”alanismorissette?

Sexta-feira, 12 de Outubro de 2007

Inglória

Inglória é a vida, e inglório o conhecê-la.

Quantos, se pensam, não se reconhecem

Os que se conheceram!

A cada hora se muda não só a hora

Mas o que se crê nela, e a vida passa

Entre viver e ser.
”currencytrading?

Quinta-feira, 11 de Outubro de 2007

Gozo Sonhado

Gozo sonhado é gozo, ainda que em sonho.

Nós o que nos supomos nos fazemos,

Se com atenta mente

Resistirmos em crê-lo.

Não, pois, meu modo de pensar nas coisas,

Nos seres e no fado me consumo.

Para mim crio tanto

Quanto para mim crio.

Fora de mim, alheio ao em que penso,

O Fado cumpre-se. Porém eu me cumpro

Segundo o âmbito breve

Do que de meu me é dado.
”currencyconvertor?

Quarta-feira, 10 de Outubro de 2007

Frutos

Frutos, dão-os as árvores que vivem,

Não a iludida mente, que só se orna

Das flores lívidas

Do íntimo abismo.

Quantos reinos nos seres e nas cousas

Te não talhaste imaginário! Quantos,

Com a charrua,

Sonhos, cidades!

Ah, não consegues contra o adverso muito

Criar mais que propósitos frustrados!

Abdica e sê

Rei de ti mesmo.
”roselynsanchez?

Terça-feira, 9 de Outubro de 2007

Flores

Flores que colho, ou deixo,

Vosso destino é o mesmo.

Via que sigo, chegas

Não sei aonde eu chego.

Nada somos que valha,

Somo-lo mais que em vão.
”sharonstone?

Segunda-feira, 8 de Outubro de 2007

Felizes

Felizes, cujos corpos sob as árvores

Jazem na úmida terra,

Que nunca mais sofrem o sol, ou sabem

Das doenças da lua.

Verta Eolo a caverna inteira sobre

O orbe esfarrapado,

Lance Netuno, em cheias mãos, ao alto

As ondas estoirando.

Tudo lhe é nada, e o próprio pegureiro

Que passa, finda a tarde,

Sob a árvore onde jaz quem foi a sombra

Imperfeita de um deus,

Não sabe que os seus passos vão cobrindo

O que podia ser,

Se a vida fosse sempre vida, a glória

De uma beleza eterna.
”editing?

Domingo, 7 de Outubro de 2007

Feliz Aquele

Feliz aquele a quem a vida grata

Concedeu que dos deuses se lembrasse

E visse como eles

Estas terrenas coisas onde mora

Um reflexo mortal da imortal vida.

Feliz, que quando a hora tributária

Transpor seu átrio por que a Parca corte

O fio fiado até ao fim,

Gozar poderá o alto prêmio

De errar no Averno grato abrigo

Da convivência.

Mas aquele que quer Cristo antepor

Aos mais antigos Deuses que no Olimpo

Seguiram a Saturno —

O seu blasfemo ser abandonado

Na fria expiação — até que os Deuses

De quem se esqueceu deles se recordem —

Erra, sombra inquieta, incertamente,

Nem a viúva lhe põe na boca

O óbolo a Caronte grato,

E sobre o seu corpo insepulto

Não deita terra o viandante.
”tradeforex?

Sábado, 6 de Outubro de 2007

É tão Suave

É tão suave a fuga deste dia,

Lídia, que não parece, que vivemos.

Sem dúvida que os deuses

Nos são gratos esta hora,

Em paga nobre desta fé que temos

Na exilada verdade dos seus corpos

Nos dão o alto prêmio

De nos deixarem ser

Convivas lúcidos da sua calma,

Herdeiros um momento do seu jeito

De viver toda a vida

Dentro dum só momento,

Dum só momento, Lídia, em que afastados

Das terrenas angústias recebemos

Olímpicas delícias

Dentro das nossas almas.

E um só momento nos sentimos deuses

Imortais pela calma que vestimos

E a altiva indiferença

Às coisas passageiras

Como quem guarda a c'roa da vitória

Estes fanados louros de um só dia

Guardemos para termos,

No futuro enrugado,

Perene à nossa vista a certa prova

De que um momento os deuses nos amaram

E nos deram uma hora

Não nossa, mas do Olimpo.
”lowcost?

Sexta-feira, 5 de Outubro de 2007

Este Seu Escasso Campo

Este, seu ‘scasso campo ora lavrando,

Ora solene, olhando-o com a vista

De quem a um filho olha, goza incerto

A não-pensada vida.

Das fingidas fronteiras a mudança

O arado lhe não tolhe, nem o empece

Per que concílios se o destino rege

Dos povos pacientes.

Pouco mais no presente do futuro

Que as ervas que arrancou, seguro vive

A antiga vida que não torna, e fica,

Filhos, diversa e sua.
”gps?

Quinta-feira, 4 de Outubro de 2007

Estás só. Ninguém o sabe.

Estás só. Ninguém o sabe. Cala e finge.

Mas finge sem fingimento.

Nada 'speres que em ti já não exista,

Cada um consigo é triste.

Tens sol se há sol, ramos se ramos buscas,

Sorte se a sorte é dada.
”homeinsurance?

Quarta-feira, 3 de Outubro de 2007

Domina ou Cala

Domina ou cala. Não te percas, dando

Aquilo que não tens.

Que vale o César que serias? Goza

Bastar-te o pouco que és.

Melhor te acolhe a vil choupana dada

Que o palácio devido.
”training?

Terça-feira, 2 de Outubro de 2007

Do que Quero

Do que quero renego, se o querê-lo

Me pesa na vontade. Nada que haja

Vale que lhe concedamos

Uma atenção que doa.

Meu balde exponho à chuva, por ter água.

Minha vontade, assim, ao mundo exponho,

Recebo o que me é dado,

E o que falta não quero.

O que me é dado quero

Depois de dado, grato.

Nem quero mais que o dado

Ou que o tido desejo.
”online?

Segunda-feira, 1 de Outubro de 2007

Dia Após Dia

Dia após dia a mesma vida é a mesma.

O que decorre, Lídia,

No que nós somos como em que não somos

Igualmente decorre.

Colhido, o fruto deperece; e cai

Nunca sendo colhido.

Igual é o fado, quer o procuremos,

Quer o 'speremos. Sorte

Hoje, Destino sempre, e nesta ou nessa

Forma alheio e invencível.
”city?

Domingo, 30 de Setembro de 2007

Deixemos, Lídia

Deixemos, Lídia, a ciência que não põe

Mais flores do que Flora pelos campos,

Nem dá de Apolo ao carro

Outro curso que Apolo.

Contemplação estéril e longínqua

Das coisas próximas, deixemos que ela

Olhe até não ver nada

Com seus cansados olhos.

Vê como Ceres é a mesma sempre

E como os louros campos intumesce

E os cala prás avenas

Dos agrados de Pã.

Vê como com seu jeito sempre antigo

Aprendido no orige azul dos deuses,

As ninfas não sossegam

Na sua dança eterna.

E como as heniadríades constantes

Murmuram pelos rumos das florestas

E atrasam o deus Pã.

Na atenção à sua flauta.

Não de outro modo mais divino ou menos

Deve aprazer-nos conduzir a vida,

Quer sob o ouro de Apolo

Ou a prata de Diana.

Quer troe Júpiter nos céus toldados.

Quer apedreje com as suas ondas

Netuno as planas praias

E os erguidos rochedos.

Do mesmo modo a vida é sempre a mesma.

Nós não vemos as Parcas acabarem-nos.

Por isso as esqueçamos

Como se não houvessem.
Colhendo flores ou ouvindo as fontes

A vida passa como se temêssemos.

Não nos vale pensarmos

No futuro sabido

Que aos nossos olhos tirará Apolo

E nos porá longe de Ceres e onde

Nenhum Pã cace à flauta

Nenhuma branca ninfa.

Só as horas serenas reservando

Por nossas, companheiros na malícia

De ir imitando os deuses

Até sentir-lhe a calma.

Venha depois com as suas cãs caídas

A velhice, que os deuses concederam

Que esta hora por ser sua

Não sofra de Saturno

Mas seja o templo onde sejamos deuses

Inda que apenas, Lídia, pra nós próprios

Nem precisam de crentes

Os que de si o foram.
”cristianronaldo?

Sábado, 29 de Setembro de 2007

De Novo Traz

De novo traz as aparentes novas

Flores o verão novo, e novamente

Verdesce a cor antiga

Das folhas redivivas.

Não mais, não mais dele o infecundo abismo,

Que mudo sorve o que mal somos, torna

À clara luz superna

A presença vivida.

Não mais; e a prole a que, pensando, dera

A vida da razão, em vão o chama,

Que as nove chaves fecham,

Da Estige irreversível.


O que foi como um deus entre os que cantam,

O que do Olimpo as vozes, que chamavam,

'Scutando ouviu, e, ouvindo,

Entendeu, hoje é nada.

Tecei embora as, que teceis, Grinaldas.

Quem coroais, não coroando a ele?

Votivas as deponde,

Fúnebres sem ter culto.

Fique, porém, livre da leiva e do Orco,

A fama; e tu, que Ulisses erigira,

Tu, em teus sete montes,

Orgulha-te materna,

Igual, desde ele às sete que contendem

Cidades por Homero, ou alcaica Lesbos,

Ou heptápila Tebas

Ogígia mãe de Píndaro.
”travel?

Sexta-feira, 28 de Setembro de 2007

De Apolo

De Apolo o carro rodou pra fora

Da vista. A poeira que levantara

Ficou enchendo de leve névoa

o horizonte;

A flauta calma de Pã, descendo

Seu tom agudo no ar pausado,

Deu mais tristezas ao moribundo

Dia suave.

Cálida e loura, núbil e triste,

Tu, mondadeira dos prados quentes,

Ficas ouvindo, com os teus passos

Mais arrastados,

A flauta antiga do deus durando

Com o ar que cresce pra vento leve,

E sei que pensas na deusa clara

Nada dos mares,

E que vão ondas lá muito adentro

Do que o teu seio sente cansado

Enquanto a flauta sorrindo chora

Palidamente.
”tennis?

Quinta-feira, 27 de Setembro de 2007

Da Nossa Semelhança

Da nossa semelhança com os deuses

Por nosso bem tiremos

Julgarmo-nos deidades exiladas

E possuindo a Vida

Por uma autoridade primitiva

E coeva de Jove.

Altivamente donos de nós-mesmos,

Usemos a existência

Como a vila que os deuses nos concedem

Para, esquecer o estio.
”justintimberlake?

Não de outra forma mais apoquentada

Nos vale o esforço usarmos

A existência indecisa e afluente

Fatal do rio escuro.

Como acima dos deuses o Destino

É calmo e inexorável,

Acima de nós-mesmos construamos

Um fado voluntário

Que quando nos oprima nós sejamos

Esse que nos oprime,

E quando entremos pela noite dentro

Por nosso pé entremos.
”vania?

Quarta-feira, 26 de Setembro de 2007

Da Lâmpada

Da lâmpada noturna

A chama estremece

E o quarto alto ondeia.

Os deuses concedem

Aos seus calmos crentes

Que nunca lhes trema

A chama da vida

Perturbando o aspecto

Do que está em roda,

Mas firme e esguiada

Como preciosa

E antiga pedra,

Guarde a sua calma

Beleza contínua.
”rental?

Terça-feira, 25 de Setembro de 2007

Cuidas, Índio

Cuidas, ínvio, que cumpres, apertando

Teus infecundos, trabalhosos dias

Em feixes de hirta lenha,

Sem ilusão a vida.

A tua lenha é só peso que levas

Para onde não tens fogo que te aqueça,

Nem sofrem peso aos ombros

As sombras que seremos.

Para folgar não folgas; e, se leoas,

Antes legues o exemplo, que riquezas,

De como a vida basta

Curta, nem também dura.

Pouco usamos do pouco que mal temos.

A obra cansa, o ouro não é nosso.

De nós a mesma fama

Ri-se, que a não veremos

Quando, acabados pelas Parcas, formos,

Vultos solenes, de repente antigos,

E cada vez mais sombras,

Ao encontro fatal —

O barco escuro no soturno rio,

E os novos abraços da frieza stígia

E o regaço insaciável

Da pátria de Plutão.
”fergie?

Segunda-feira, 24 de Setembro de 2007

Coroai-me

Coroai-me de rosas,

Coroai-me em verdade,

De rosas —

Rosas que se apagam

Em fronte a apagar-se

Tão cedo!

Coroai-me de rosas

E de folhas breves.

E basta.
”britneyspears?

Domingo, 23 de Setembro de 2007

Como

Como se cada beijo

Fora de despedida,

Minha Cloe, beijemo-nos, amando.

Talvez que já nos toque

No ombro a mão, que chama

À barca que não vem senão vazia;

E que no mesmo feixe

Ata o que mútuos fomos

E a alheia soma universal da vida.
”cristianoronaldo?

Sábado, 22 de Setembro de 2007

Cada Um

Cada um cumpre o destino que lhe cumpre,

E deseja o destino que deseja;

Nem cumpre o que deseja,

Nem deseja o que cumpre.

Como as pedras na orla dos canteiros

O Fado nos dispõe, e ali ficamos;

Que a Sorte nos fez postos

Onde houvemos de sê-lo.

Não tenhamos melhor conhecimento

Do que nos coube que de que nos coube.

Cumpramos o que somos.

Nada mais nos é dado.
”ph-hotels?

Sexta-feira, 21 de Setembro de 2007

Cada dia sem gozo não foi teu

Cada dia sem gozo não foi teu

Foi só durares nele. Quanto vivas

Sem que o gozes, não vives.

Não pesa que amas, bebas ou sorrias:

Basta o reflexo do sol ido na água

De um charco, se te é grato.

Feliz o a quem, por ter em coisas mínimas

Seu prazer posto, nenhum dia nega

A natural ventura!
”nz-hotels?

Quinta-feira, 20 de Setembro de 2007

Cada Coisa

Cada coisa a seu tempo tem seu tempo.

Não florescem no inverno os arvoredos,

Nem pela primavera

Têm branco frio os campos.

À noite, que entra, não pertence, Lídia,

O mesmo ardor que o dia nos pedia.

Com mais sossego amemos

A nossa incerta vida.

À lareira, cansados não da obra

Mas porque a hora é a hora dos cansaços,

Não puxemos a voz

Acima de um segredo,

E casuais, interrompidas, sejam

Nossas palavras de reminiscência

(Não para mais nos serve

A negra ida do Sol) —

Pouco a pouco o passado recordemos

E as histórias contadas no passado

Agora duas vezes

Histórias, que nos falem

Das flores que na nossa infância ida

Com outra consciência nós colhíamos

E sob uma outra espécie

De olhar lançado ao mundo.

E assim, Lídia, à lareira, como estando,

Deuses lares, ali na eternidade,

Como quem compõe roupas

O outrora compúnhamos

Nesse desassossego que o descanso

Nos traz às vidas quando só pensamos

Naquilo que já fomos,

E há só noite lá fora.
”gr-hotels?

Quarta-feira, 19 de Setembro de 2007

Breve o Dia

Breve o dia, breve o ano, breve tudo.

Não tarda nada sermos.

Isto, pensado, me de a mente absorve

Todos mais pensamentos.

O mesmo breve ser da mágoa pesa-me,

Que, inda que mágoa, é vida.
”fx-software?

Terça-feira, 18 de Setembro de 2007

Bocas Roxas

Bocas roxas de vinho,

Testas brancas sob rosas,

Nus, brancos antebraços

Deixados sobre a mesa;

Tal seja, Lídia, o quadro

Em que fiquemos, mudos,

Eternamente inscritos

Na consciência dos deuses.

Antes isto que a vida

Como os homens a vivem

Cheia da negra poeira

Que erguem das estradas.

Só os deuses socorrem

Com seu exemplo aqueles

Que nada mais pretendem

Que ir no rio das coisas.
”forexmoney?

Segunda-feira, 17 de Setembro de 2007

Azuis os Montes

Azuis os montes que estão longe param.

De eles a mim o vário campo ao vento, à brisa,

Ou verde ou amarelo ou variegado,

Ondula incertamente.

Débil como uma haste de papoila

Me suporta o momento. Nada quero.

Que pesa o escrúpulo do pensamento

Na balança da vida?

Como os campos, e vário, e como eles,

Exterior a mim, me entrego, filho

Ignorado do Caos e da Noite

Às férias em que existo.
”br-hotels?

Domingo, 16 de Setembro de 2007

As Rosas

As Rosas amo dos jardins de Adônis,

Essas volucres amo, Lídia, rosas,

Que em o dia em que nascem,

Em esse dia morrem.

A luz para elas é eterna, porque

Nascem nascido já o sol, e acabam

Antes que Apolo deixe

O seu curso visível.

Assim façamos nossa vida um dia,

Inscientes, Lídia, voluntariamente

Que há noite antes e após

O pouco que duramos.
”film?

Sábado, 15 de Setembro de 2007

A Nada Imploram

A nada imploram tuas mãos já coisas,

Nem convencem teus lábios já parados,

No abafo subterrâneo

Da úmida imposta terra.

Só talvez o sorriso com que amavas

Te embalsama remota, e nas memórias

Te ergue qual eras, hoje

Cortiço apodrecido.

E o nome inútil que teu corpo morto

Usou, vivo, na terra, como uma alma,

Não lembra. A ode grava,

Anônimo, um sorriso.
”cheap?

Sexta-feira, 14 de Setembro de 2007

Atrás Não Torna

Atrás não torna, nem, como Orfeu, volve

Sua face, Saturno.

Sua severa fronte reconhece

Só o lugar do futuro.

Não temos mais decerto que o instante

Em que o pensamos certo.

Não o pensemos, pois, mas o façamos

Certo sem pensamento.
”beckham?

Quinta-feira, 13 de Setembro de 2007

A Palidez do Dia

A palidez do dia é levemente dourada.

O sol de inverno faz luzir como orvalho as curvas

Dos troncos de ramos Secos.

O frio leve treme.

Desterrado da pátria antiqüíssima da minha

Crença, consolado só por pensar nos deuses,

Aqueço-me trêmulo

A outro sol do que este.

O sol que havia sobre o Parténon e a Acrópole

O que alumiava os passos lentos e graves

De Aristóteles falando.

Mas Epicuro melhor

Me fala, com a sua cariciosa voz terrestre

Tendo para os deuses uma atitude também de deus,

Sereno e vendo a vida

À distância a que está.
”fergie?

Quarta-feira, 12 de Setembro de 2007

Anjos ou Deuses

Anjos ou deuses, sempre nós tivemos,

A visão perturbada de que acima

De nos e compelindo-nos

Agem outras presenças.

Como acima dos gados que há nos campos

O nosso esforço, que eles não compreendem,

Os coage e obriga

E eles não nos percebem,

Nossa vontade e o nosso pensamento

São as mãos pelas quais outros nos guiam

Para onde eles querem

E nós não desejamos.
”rihanna?

Terça-feira, 11 de Setembro de 2007

Antes de Nós

Antes de nós nos mesmos arvoredos

Passou o vento, quando havia vento,

E as folhas não falavam

De outro modo do que hoje.

Passamos e agitamo-nos debalde.

Não fazemos mais ruído no que existe

Do que as folhas das árvores

Ou os passos do vento.

Tentemos pois com abandono assíduo

Entregar nosso esforço à Natureza

E não querer mais vida

Que a das árvores verdes.

Inutilmente parecemos grandes.

Salvo nós nada pelo mundo fora

Nos saúda a grandeza

Nem sem querer nos serve.

Se aqui, à beira-mar, o meu indício

Na areia o mar com ondas três o apaga,

Que fará na alta praia

Em que o mar é o Tempo?
”gym?

Segunda-feira, 10 de Setembro de 2007

Aos Deuses

Aos deuses peço só que me concedam

O nada lhes pedir. A dita é um jugo

E o ser feliz oprime

Porque é um certo estado.

Não quieto nem inquieto meu ser calmo

Quero erguer alto acima de onde os homens

Têm prazer ou dores.
”cristianoronaldo?

Domingo, 9 de Setembro de 2007

Ao Longe

Ao longe os montes têm neve ao sol,

Mas é suave já o frio calmo

Que alisa e agudece

Os dardos do sol alto.


Hoje, Neera, não nos escondamos,

Nada nos falta, porque nada somos.

Não esperamos nada

E ternos frio ao sol.


Mas tal como é, gozemos o momento,

Solenes na alegria levemente,

E aguardando a morte

Como quem a conhece.
”sharapova?

Sábado, 8 de Setembro de 2007

Aqui neste desterro

Aqui, neste misérrimo desterro

Onde nem desterrado estou, habito,

Fiel, sem que queira, àquele antigo erro

Pelo qual sou proscrito.

O erro de querer ser igual a alguém

Feliz em suma — quanto a sorte deu

A cada coração o único bem

De ele poder ser seu.
”jessicaparker?

Sexta-feira, 7 de Setembro de 2007

Aqui

Aqui, Neera, longe

De homens e de cidades,

Por ninguém nos tolher

O passo, nem vedarem

A nossa vista as casas,

Podemos crer-nos livres.

Bem sei, é flava, que inda

Nos tolhe a vida o corpo,

E não temos a mão

Onde temos a alma;

Bem sei que mesmo aqui

Se nos gasta esta carne

Que os deuses concederam

Ao estado antes de Averno.

Mas aqui não nos prendem

Mais coisas do que a vida,

Mãos alheias não tomam

Do nosso braço, ou passos

Humanos se atravessam

Pelo nosso caminho.

Não nos sentimos presos

Senão com pensarmos nisso,

Por isso não pensemos

E deixemo-nos crer

Na inteira liberdade

Que é a ilusão que agora

Nos torna iguais dos deuses.
”kournikova?

Quinta-feira, 6 de Setembro de 2007

Aqui, Dizeis

Aqui, dizeis, na cova a que me abeiro,

Não 'stá quem eu amei. Olhar nem riso

Se escondem nesta leira.

Ah, mas olhos e boca aqui se escondem!

Mãos apertei, não alma, e aqui jazem.

Homem, um corpo choro!
”lindsaylohan?

Quarta-feira, 5 de Setembro de 2007

Aguardo

Aguardo, equânime, o que não conheço —

Meu futuro e o de tudo.

No fim tudo será silêncio, salvo

Onde o mar banhar nada.
”angelinajolie?

Terça-feira, 4 de Setembro de 2007

A Flor que És

A flor que és, não a que dás, eu quero.

Porque me negas o que te não peço.

Tempo há para negares

Depois de teres dado.

Flor, sê-me flor! Se te colher avaro

A mão da infausta esfinge, tu perere

Sombra errarás absurda,

Buscando o que não deste.
”avrillavigne?

Segunda-feira, 3 de Setembro de 2007

Acima da Verdade

Acima da verdade estão os deuses.

A nossa ciência é uma falhada cópia

Da certeza com que eles

Sabem que há o Universo.

Tudo é tudo, e mais alto estão os deuses,

Não pertence à ciência conhecê-los,

Mas adorar devemos

Seus vultos como às flores,

Porque visíveis à nossa alta vista,

São tão reais como reais as flores

E no seu calmo Olimpo

São outra Natureza.
”jessicaalba?

Domingo, 2 de Setembro de 2007

A Cada Qual

A cada qual, como a 'statura, é dada

A justiça: uns faz altos

O fado, outros felizes.

Nada é prêmio: sucede o que acontece.

Nada, Lídia, devemos

Ao fado, senão tê-lo.
”jessicasimpson?

Sábado, 1 de Setembro de 2007

A Abelha

A abelha que, voando, freme sobre

A colorida flor, e pousa, quase

Sem diferença dela

À vista que não olha,

Não mudou desde Cecrops. Só quem vive

Uma vida com ser que se conhece

Envelhece, distinto

Da espécie de que vive.

Ela é a mesma que outra que não ela.

Só nós — ó tempo, ó alma, ó vida, ó morte! —

Mortalmente compramos

Ter mais vida que a vida.
”rihanna?